Por Alda Inacio
Criação ou evolução.
Texto publicado no Diário da Manhã de Goiásem 16/05/2009
Não tem como se fazer um comentário sobre este assunto que chegue a sensibilizar uma grande parte dos interessados em compreender a origem do homem sem briga. Tocar neste assunto é levantar da catacumba o mais antigo anfitrião, morto e esquecido. Debate lançado e acende-se as luzes de cérebros adormecidos, ouriçam-se os pelos do mais insensível dos insensíveis e a guerra é decretada. O jeito é fazer uma discursiva simplificada, tentanto não enfiar o pé no barro, mais precisamente, apresenta-se a rosa e tenta-se incobrir o talo e com ele os espinhos. Feito nada fácil, seja para teólogo, curioso ou cientista e se eu tiver que escolher minha categoria, longe de ser bombeiro nestes assuntos. Também nem de longe tenho a intenção de provocar, e sim, trazer à tona a eterna discussão como adjunto saudável para exercitar o cérebro.
Não sendo teóloga, aliás, esta é uma palavra genérica que denota uma pessoa com estudos específicos relacionados à fé, assim, sem bagagem para levar a discussão ao nível que devia e conformada, submeto a questão ocupando a vaga do curioso. De mais a mais, sabendo que se fôssemos pensar ponderadamente, todas as pessoas que estudam a Bíblia são teólogas, ou, para ir mais além, todas as pessoas que estudam a metafísica são teólogas. Enfim, sem me importar com o rótulo de quem faz o que, meto-me a falar de religião, que por sinal me ajuda muito, sendo que este assunto sempre me proporciona um aprendizado enorme.
A exemplo de ensaio compreensivo convido-o a fazer uma leitura de Gênesis na Bíblia, com seguimento cronológico. Vemos imediatamente que dentro deste livro a cronologia não segue lá o bom sentido, pois no primeiro capítulo é relatada a criação dos céus e da terra, mares, fauna e flora e no segundo capítulo sustenta-se que depois de tudo criado ainda não havia caído água sobre a face da terra. Coisa complicada de entender, fauna e flora sem água, mas Deus é Deus, e só Ele sabe como conseguiu fazer a coisa deste jeito.
Eu creio que há na narrativa de Gênesis a grandeza do fato e a deficiência do narrador, mesmo estando este sob o poder do Espírito Santo. Talvez, considerando o estado deficiente de raciocínio da humanidade na época, ficou o relato como quem conta um conto de fadas, com realidade adaptada para a mentalidade infantil. O mesmo que fazemos hoje para falar do bem e do mal à uma criança com menos de cinco anos de idade. Para estas, mostramos o lobo mau que representa o mal, mostramos a Chapeuzinho-vermelho que representa o bem, indo levar doces à vovozinha que é a figura do desamparado. Mostramos a justiça, no caçador que mata o lobo para salvar a velhinha. Enfim, por meio destes astífices ensinamos à criança a Comédia Humana. Agora, imagina se lêssemos para esta criança a obra de Dante? Ou se contássemos a esta criança a verdade sobre o mundo atual, dando como exemplo as horas de terror dentro daquele avião, 5 minutos antes de chocar-se com o World Trade Center.... Calma aí ! Para crianças devemos contar a história com palavras moderadas, enfim estamos construindo o intelecto deste ser humano. Portanto, considerando o baixo nível de compreenssão humana, ontem, hoje e sempre, Deus, na sua infinita sabedoria, mostrou a situação clara no livro de Lucas, onde Jesus disse, ao ver os apóstolos tentando impedir que as crianças incomodassem-no:
Lucas 16 - Jesus, chamando-os para si, disse: Deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque das tais é o reino de Deus. 17 Em verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como menino, não entrará nele.
Então, conclui-se que para compreender esta questão temos duas escolhas: ou descemos à condição de pureza infantil para aceitar a criação como ela nos foi contada, ou levantamos o tupete para ler Darwin, que aliás teve razão em 90% do que falou sobre evolução e enganou-se redondamente ao citar o homem como fruto desta evolução. Ora, ora! Não seria cada espécie com a sua própria evolução, sem misturar espécies e sem cogitar que descendemos dos macacos? Se todos temos no DNA sinais de única origem é porque homem, fauna e flora foram criadas com o mesmo mecanismo do Deus criador e com tal perfeição que dificulta nosso parco entendimento.
Caso você negue este fato, experimente olhar uma tela de Picasso e poderá ver nela os traços do mestre da pintura. Assim devemos olhar as obras da criação de Deus, reconhecendo os traços do Mestre e por fim, passa a ser fácil ler Darwin, tanto quanto ler a Bíblia e entender ambos. Uma coisa enriquece a outra e não se assoma nenhum delírio de exaltação contra um, ou contra outro, mesmo que neste porém alguns digam: uma coisa é ciência, outra coisa é a fé. Respeitar a fé é preciso, já que a ciência tem o respeito que merece, ma enquanto o homem tentar resolver a questão sem uma conotação holística vai continuar sem nada entender. Compreender a natureza humana é compreender a união de corpo, mente e espírito. Enquanto é fácil entender o corpo, é complicado, já sabemos, entender a mente e quase impossível entender o espírito. No dia em que os estudiosos da origem do homem ultrapassarem as barreiras da sua própria ignorância e tentarem analisar a complexa origem humana, tomando estes três ítens juntos, terão dado um salto enorme na evolução da raça humana.