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Por Alda Inácio


Certas raças arianas e a higiene.

Texto publicado no Diário da Manhã de Goiásem 03/06/2009 - página 17

Nestes doze anos de andanças pelo mundo já vi tanta disparidade entre as raças humanas que nada mais me espanta. Qual seria a origemde certas ênfases que impulsionam algumas pessoas a acharem-se superiores às outras? Reconfigurando a questão: será que foi a forma de assimilação da cultura nas civilizações que causou estes desvios, ou estes disturbios seriam defeitos no DNA de certas pessoas? Como explicar o ego corrompido, alterado, de certos povos que se acham superiores a outros? Branco é mais bonito que negro. Europeu é mais limpo que Sul Americano. São afirmações aberrantes e estão em prática no mundo inteiro. Hitler ao querer perpetuar a raça ariana, perpetuaria com ela estes rompantes de superioridade. Infelizmente esta febre malígna ainda se reflete em muitas pessoas. Hoje quando cheguei da padaria vim com a pseudo certeza de que a raça branca européia não possui os mesmos micróbios, bactérias e vírus que nós os brasileiros. Em poucas palavras a atendente da padaria tentou convencer-me desta pseudo verdade. Como não foi a minha primeira tentativa de colocar clara a incomodação que me causa ver estas pessoas passarem a mão no pão e para evitar disputa, desta vez resolvi falar em tom de brincadeira: se a senhora estivesse no meu país, não passaria a mão no pão que eu vou comer. Disse isto e logo ouvi a pergunta: de qual país é a senhora? E quando respondi Brasil, a padeira retrucou em tom de chacota: claro, um país de índios, favelas e doenças, é normal proibirem que se toque os alimentos. Esta resposta eriçou-me os pelos, eu me contive nas bases e tornei a dizer em tom de graça: onde existir ser humano tem bactérias, sujeira e doenças. A padeira deu-me o troco do dinheiro e eu completei: outro dia, em visita à Holanda, ao servir-me um sorvete, a bola era grande e não queria equilibra-se no pequeno cone, o serveteiro ajeitou a massa com a mão, e me entregou sorrindo. A padeira respondeu-me, já com ganas de me despachar, tentando encerrar o assunto: eu nunca faço atenção a micróbios e nunca estou doente. O que eu podia dizer mais? Peguei o pão e desejei a ela um bom dia. O incrível é que eu sempre prometo nunca mais tocar neste assunto enquanto estiver na Europa e volto sempre atrás, neste impulso congênito de melhorar o modo de vida meu ou de terceiros. Também queria entender esta febre doentia de certas pessoas acharem que estão acima de tudo que existe, mesmo acima do bem e do mal. Intocáveis e melhores do que tudo o resto. Lembro-me de uma velha estória referente à chegada dos primeiros grupos de negros escravos em Portugal. Logo ao chegar queriam entrar no banho, e os portugueses (que eu amo muito) chacoteavam com os negros dizendo: que tanto se lavam estes negros, pensam que ao lavar-se ficarão brancos como nós? Estas atrocidades precisam desaparecer da mente humana; elas são frutos da involução, processo retroativo da evolução mental. Já não se pode mais admitir tais absurdos. A dita raça ariana só existiu na mentalidade psicopata e totalitarista de Hitler. Somos todos iguais, brancos, negros, amarelos e vermelhos. Somos sujos, contaminamos o mundo e estamos acabando com a água potável do planeta. Se uns têm mais imunidade que outros, isto não é regra geral. Hoje ou amanhã a mesma pessoa pode estar enterrando sua arrogância abaixo de sete palmos, vítima de um vírus qualquer. Por outro lado, nada me revolta mais do que ouvir falar mal do meu país. Somos iguais à todas as raças humanas, nem melhor, nem pior e dizer que somos um país de índios é um elogio. ?ndios são limpos, nascidos da natureza limpa e sadia; natureza que tanto desperta cobiça e faz inveja ao mundo inteiro.


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